Encontro sobre água, poluição e lixo no Instituto Oceanográfico da USP / Base Ubatuba
Mar das Coisas - Oficina BARCAS
Sobre a Metodologia
A oficina BARCAS (Bússola Exploradora da Regeneração Cultural, Ambiental e Social), facilitada por Floriana Breyer (Biodiversas Lab), é uma dinâmica de facilitação e cocriação voltada à estruturação de alianças e projetos colaborativos de regeneração socioecológica.
Realizada em 1º de agosto de 2026 na Casa de Saúde Cultura Viva, em Ubatuba, a oficina estruturou os diagnósticos e percepções acumulados nos dias anteriores do encontro Mar das Coisas em planos de ação e propostas coletivas.
Grupos de trabalho desenvolvendo propostas colaborativas. Foto: Doutor F / CC BY 4.0
Resumo da transcrição da oficina
Realizada em 1º de agosto de 2026 na Casa de Saúde Cultura Viva, a oficina conduzida por Floriana Breyer utilizou a metodologia do jogo BARCAS (uma bússola de navegação territorial) para pensar o futuro das bacias hidrográficas de Ubatuba.# Caderno de Anotações & Registros de Campo 2
1. A Metáfora e os Tripulantes
- O Jogo: O grupo utilizou um tabuleiro gigante para simular uma navegação pela bacia hidrográfica, entendida como nossa “primeira nação” ou biorregião (o que acontece na montanha deságua no mar).
- A Roda de Conversa: Os participantes (artistas, representantes de instituições locais, educadores, gestores ambientais e ativistas) se apresentaram identificando o corpo d’água mais próximo de suas casas, conectando suas biografias aos fluxos hídricos locais.
- Os Encantados: Participantes fizeram questão de honrar os povos tradicionais do território (Guaranis e Quilombolas) e aos seres do encantamento local e mitológico: a Cuca (força da floresta e contra-patriarcado), o Boto (comunicação e turismo) e o Dragão (intercâmbio cultural).
2. O Mapa das Feridas (Diagnóstico)
- Rios Invisíveis: Denúncia sobre rios e córregos que foram privatizados, canalizados ou apagados dos mapas públicos oficiais.
- A Rodovia-Barragem: A construção da Rio-Santos foi apontada como uma barreira física que represa as águas do mangue, causando as enchentes históricas nas Estufas e no Perequê-Açu.
- A Farsa da Culpa: O monitoramento prático indicou que o Rio Acaraú é mais poluído logo após a Estação de Tratamento da Sabesp. Rejeitou-se a narrativa que culpa as populações vulneráveis das cabeceiras pela poluição da baía.
3. O Rumo e as Rotas (Encaminhamentos Práticos)
- Rio como Sujeito de Direito: Proposta de articular leis para reconhecer os rios centrais (Grande, Tavares e Acaraú) como sujeitos legais de direitos.
- Confederação Água Limpa: Aliança comunitária de longo prazo para monitoramento, ciência cidadã, arte e incidência política.
- Escolas-Território: Articular as Associações de Pais e Mestres (APMs) e ONGs das 15 escolas públicas ao longo da Bacia do Rio Grande para implementar a educação ambiental focada em bacias.
- Acervo Vivo Ubatuba: Criação de uma plataforma aberta (WordPress/Tainacan) para reunir teses, mapeamentos e a memória de lutas históricas do município, como a vitória contra a indústria de armas nos anos 1980.
- Ocupação dos Conselhos: Mobilização para ocupar comitês de bacias, conselhos de meio ambiente, saúde e cultura, exigindo fiscalização da Sabesp e uso consciente dos recursos da Taxa de Preservação Ambiental (TPA).
- A oficina encerrou-se com a união do grupo em círculos de engajamento e a consagração da senha de resistência: “Confabulação de fluidos e fluxos encantados”.
Navegação
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